samedi, juillet 28, 2007

Mais sobre a Copa

O anúncio da Copa de Literatura Brasileira gerou algumas reações. Muitos jurados - o Bruno Garschagen, o Eduardo Carvalho, o Rafael Rodrigues, a Olivia Maia, a Renata Miloni - apresentaram o prêmio nos seus blogs; o Sérgio Rodrigues, que é um dos concorrentes, gostou da idéia, assim como o Tiago Casagrande. Já o Edson Junior ficou com um pé atrás e fez várias perguntas sobre o prêmio. Na esperança de que outras pessoas estejam interessadas, explico a idéia melhor.

A Copa de Literatura funciona como, bom, como uma copa. Os dezesseis livros são divididos em oito grupos de dois. Para cada grupo, um jurado escolhe que livro merece passar para a segunda fase. Na segunda fase, portanto, há oito livros, divididos em quatro grupos de dois. De novo, cada grupo é designado a um jurado que elimina um livro da competição. Sobram quatro livros em dois grupos de dois; o processo se repete, sobram dois livros, e aí todos os jurados votam para escolher o vencedor. O meu voto serve para decidir a final na pouco provável hipótese de um empate.

Se a explicação não ajudou muito, visite o site da versão original da Copa, o Tournament of Books. Viu? É simples, apesar da minha explicação confusa.

As chaves da Copa já foram decididas e serão anunciadas em breve. Os jurados estão começando a receber e a ler os livros. Como essa é a primeira edição do prêmio, adaptações podem ser necessárias ao longo do caminho; se for o caso, aviso por aqui. Até breve.

6 commentaires:

Edson a dit…

Lucas, olá. Bon jour, ou sei lá que horas são aí. Gostaria de agradecer a sua atenção ao ter, gentilmente, respondido às questões que fiz no post. Ao contrário do que talvez possa ter soado, pelos muitos comentários, por alguma ironia, etc, não sou contra a idéia. Tive dúvidas e as expus, só. Agradeço e desejo sorte.

Abraço.

Ed a dit…

Dê uma lida nisso:

"
Pelé, the Moor of Santos

A l, onde tudo começa, fica com Hesíodo: descobriu antes e melhor do que todos que futebol é uma caixinha de surpresas. Na lateral direita tem o Nabokov, criatividade de ponta-de-lança, faro de centroavante e marca como zagueiro. Domina a arte. Por esses acasos da vida acabou improvisado na lateral direita pois não tem o pé esquerdo. Evelyn Waugh, beque central, é o açougueiro que os adversários odeiam e que a torcida ama. Flaubert é o quarto zagueiro que sabe sair jogando mas que não inventa moda, sabe o seu lugar no jogo. Dostoiévski fica com a lateral esquerda. Choraminga e reclama com o árbitro o tempo todo, o que é bom: faz o árbitro se sentir culpado e na obrigação de ajudar o nosso time.

Os polivalentes Thomas Pynchon e David Foster Wallace fazem dupla na frente da área. Ladrões de primeira linha, eles têm fôlego invejável, típico do futebol atual. Atacam, defendem, empurram o time e sabem segurar o jogo. Classe e brutalidade se revezam conforme o adversário e o momento da partida. Às vezes dão uma de Zinho e giram, giram sem sair do lugar. Mas provaram que podem jogar e botaram os veteranos cabeças-de-área brucutus Rabelais e Swift no banco.

Borges ataca pela direita. Passa mais tempo dialogando com a equipe do que jogando, embora saiba o que fazer quando a bola cai no pé. É como Garrincha: suas jogadas são sempre iguais e tabela sempre com os mesmos jogadores. Não importa: passa por cima. Kafka é o centroavante chulapeano. Se atrapalha, se perde e deixa muitas jogadas sem conclusão; é temperamental, arriscando pôr tudo fora. Mas compensa, no espaço de um lenço é capaz de brilhar. Orwell é o ponta-esquerda recuado que fecha pelo meio. Depois das primeiras botinadas ele fica com medo e recua, dizendo-se preocupado com o futuro do jogo caso o time se mande ao ataque. Bundão. Por isso entra no time. Sei que Waugh será expulso, e como o ponta-esquerda sempre sai para que o zagueiro reserva entre, ele fica como boi-de-piranha.

E para fechar: Shakespeare, o camisa 10. O resto do time sabe: é pra roubar a bola e entregar no pé dele pra sair alguma coisa boa. Há quem diga que ele é melhor ladrão de bola que os volantes; outros acham que ele é enganador e pura invenção de marketing; um comentarista narigudo que nunca chutou uma bola na vida disse, por puro bairrismo, que o Racine (o Denílson francês) joga mais... Bobagem, é um jogador imprevisível e encantador. Os resultados provam. E futebol é resultado."

Do extinto Manobra, 1979. Há um site que guarda arquivos de blogs mortos; esse eu encontrei aqui: http://web.archive.org/web/20060721171723/http://manobra1979.blogspot.com/

Lucas Murtinho a dit…

Oi Edson,

Muito bom esse texto. E você apresentou as suas dúvidas e seu ceticismo sem ser ofensivo nem degradante, o que nos dias de hoje merece aplausos. Abraços.

mário jorge a dit…

Parabéns, pela COPA LITERÁRIA.

Lucas, gostaria que, se possível, você descrevesse o critério utilizado para determinar os 16 participantes.

Bj

Lucas Murtinho a dit…

Pode deixar, tio, esse post está nos meus planos. E para quem acha que estou duvidando da sexualidade do Mário Jorge: ele é meu tio mesmo, irmão do meu pai.

Olivia a dit…

eu sempre sofro aqui até me dar conta de onde clica pra comentar! haha.

ah, o edson foi mui simpático mesmo, pena que alguns comentaristas aproveitaram o espaço para chutar o balde.

se bem que.
eu às vezes também tenho impulsos de chutar o balde, né.

tup tup.