Diz o André que é amanhã. E ele propõe dez questões para festejar a data:
1 - Que livro você está lendo?
Quase todo leitor sério responde a essa pergunta com vários livros. Eu tentei ler mais de um livro ao mesmo tempo algumas vezes, mas continuo preferindo me dedicar a um por vez. O de agora é Martin Dressler - The The tale of an American dreamer, de Steven Millhauser. Comecei ontem e deveria estar lendo agora, para cumprir a cota do dia. Pois é, eu tenho uma cota. Veja abaixo.
2 - Lembra do seu primeiro livro?
Acho que a primeira experiência de leitura de que me lembro é O pequeno príncipe, que li no carro indo da casa da minha mãe (Piratininga, Niterói) à casa da minha avó (Botafogo, Rio). Fiquei imensamente triste. Livro de miss é o cacete.
3 - No Brasil, sabemos que a leitura não é um hábito da população em geral. Quantos livros, em média, você lê por mês?
Eu tento ler cem páginas por dia, todo dia, o que daria em média dez livros por mês. Mas costumo superar essa marca, lendo livros mais curtos ou rápidos - incluindo quadrinhos, que contabilizo junto com os livros "normais". Em julho li quatro livros, nenhum deles muito grande, o que significa que estou descumprindo minha cota frequentemente. Eu deveria estar lendo agora.
4 - Você tem um gênero favorito? Qual?
Tenho grande simpatia pela ficção científica, mas leio muito pouco do gênero. Meu gênero preferido seria essa coisa misteriosa e pomposa chamada "ficção literária", que no fundo não quer dizer nada. Livros policiais também me comovem: um dos meus autores prediletos durante a adolescência era a Agatha Christie, que temo reler hoje e me decepcionar.
5 - Alguns escritores, além de grandes artistas, são vistos como "seres superiores" por alguns leitores. Você tem ídolos escritores? Quais?
James Joyce é a minha resposta automática a quem me pede meu autor favorito, por causa basicamente de Ulisses. Há na obra de Joyce uma ambição, uma grandiosidade e uma independência que podem ser admiradas ou criticadas, mas não ignoradas. Mesmo quando não gosto de Joyce - como quando me pergunto, custava ter criado uma história decente para Finnegans wake? - admiro o que ele estava fazendo.
6 - Você distingue o escritor pelo gênero - poesia, conto, romance, etc - ou acredita que escritor é escritor e ponto?
Boa pergunta. Todo mundo que escreve é escritor, mas poesia e ficção - romance e conto podem entrar no mesmo saco - exigem talentos bem diferentes. Como não gosto muito de poesia, quando falo em escritores em geral estou pensando em ficcionistas.
7 - A Internet pode se transformar em ameaça para a leitura de livros?
Pode, mas não se preocupe. O romance só se consolidou como o graal da literatura no começo do século 19, e talvez a Internet o faça perder sua primazia. Mas se isso acontecer outro tipo de literatura - talvez contos, talvez algo bastante diferente - tomará seu lugar. A Internet, por outro lado, não ameaça a literatura em si.
8 - Se você pudesse, como acabaria com o analfabetismo no Brasil e como implantaria o hábito de leitura?
Essa merece um livro. Analfabetismo: incentivo para a educação. Programas do estilo Bolsa Escola, ou Família, sei lá, mas principalmente acesso à universidade para os pobres. Cotas sociais, talvez. O importante é deixar claro que existe uma recompensa, financeira e social, para quem estuda.
Hábito de leitura: nada. Todos deveriam aprender a ler, mas lê quem quer. Mais leitura é uma boa notícia porque quer dizer que, tudo o mais constante, as pessoas têm mais educação formal, mas em si não tem muita importância.
9 - José Saramago declarou recentemente que sempre será comunista, embora saiba que este é um assunto ultrapassado. Um escritor deve manter para sempre seus valores, ou pode mudar de opinião?
Pode mudar, claro. Pobre escritor, ele é um mortal como todos nós.
10 - Uma frase para o Dia do Escritor:
Para manter a perspectiva:
"Não acredito, sinceramente, que a arte mude a vida de ninguém. Parafraseando um amigo sábio - e contestando o igualmente sábio Harold Bloom -, a oscilação de um ponto no índice Dow Jones tem mais importância que toda a obra de Shakespeare." - Michel Laub
mercredi, juillet 25, 2007
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8 commentaires:
Pra erradicar o analfabetismo no Brasil, primeiro é necessário convencer a dita "elite" de que o Brasil é um país. Até lá, vão cozinhar o assunto em fogo brando, brandíssimo!
Me chamou bastante a atenção o enorme número de livros por mês! Quem dera eu conseguir ler tanto!
:)
Abraços!
Tô lendo "O retrato de dorian gray" há meses, já tendo lido outros livros nesse período, na minha estante tem uma tonelada de livros pra ler ainda, mas falta tempo, maldito tempo.
André, como eu disse no post, chego a esse número roubando um pouco, lendo livros curtos e quadrinhos (uma revista só não conta, mas um arco de histórias ou uma graphic novel eu considero um livro).
Fala Badão! Não sabia que você tinha blog, depois te deixo um recado lá. Eu li Dorian Gray faz um tempinho e achei bacana, mas sem muito mais. Mas ele é curto, pô, tira um fim de semana e acaba com ele.
Se você ler 150 páginas num dia pode ler apenas 50 no dia seguinte, num esquema à la cartão de ponto de estatais?
E quadrinhos é livro também - ler o "Maus" vale mais do que muito livro e Asterix está entre as melhores coisas já criadas.
Olá.
Eu também queria saber quem foi o idiota que disse que O Pequeno Príncipe é livro de miss.
Há uma semana comecei a ler Le Rouge et le Noir, do velho Stendhal.
Vale.
Tija, normalmente é o contrário: leio menos num dia e depois preciso recuperar durante um sábado chuvoso.
Ed, eu gostei muito do Rouge et le noir, mas na época meu francês ainda era negativo e li em português mesmo. Foi um livro que li rápido, varando as madrugadas de um fim de semana prolongado - o melhor tipo de leitura.
Bem, acho que chegamos a um ponto interessante com essa conversa toda, enfim: a estética. Se eu disse que literatura não é entretenimento, disse errado: há sim, mas só num primeiro momento, digamos assim.
Estou bem ocupado ultimamente, mas conversaremos. Meu e-mail é dbarretoivo arroba gmail ponto com.
até.
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